
Anthony Bourdain viajou incansavelmente por mais de 16 anos, passando cerca de 250 dias por ano na estrada para gravar seus programas de culinária. No entanto, o chef e escritor sempre deixou claro que as melhores refeições de sua vida raramente vinham de restaurantes estrelados ou utilizavam ingredientes caros. Vindo de uma família de classe trabalhadora, o tema central de sua obra foi unificar culturas por meio da comida.
Em seu livro A Cook's Tour, ele resumiu sua filosofia: "O contexto e a memória desempenham papéis poderosos em todas as refeições verdadeiramente memoráveis". A seguir, pouco antes da estreia da sua cinebiografia, uma lista dos pratos mais marcantes que ele provou pelo planeta — e pelos quais ele cruzaria o mundo novamente apenas para saborear mais uma vez.
Bún bò Huế e Bún chả (Vietnã)
O Vietnã era o lugar favorito de Bourdain. Entre a vasta gastronomia local, o bún bò Huế ganhou destaque absoluto. Descrito por ele em Medium Raw como uma "versão mais testosterônica do pho", este cozido quente de macarrão de arroz com caldo de peixe picante leva pedaços de sangue coagulado, carne bovina e hambúrgueres suínos. Bourdain brincava no programa Parts Unknown que usar o prato em um encontro era um teste definitivo: se a companheira não gostasse do sangue coagulado, o relacionamento não teria futuro.
Já o bún chả ficou imortalizado na história da televisão ao ser compartilhado por Bourdain e pelo ex-presidente norte-americano Barack Obama. Sentados em banquinhos de plástico em um pequeno restaurante de Hanói, os dois comeram a combinação de carne de porco grelhada no carvão, macarrão de arroz e ervas frescas.
Sanduíche de mortadela (Brasil)
A relação de Anthony Bourdain com o Brasil teve um marco inesquecível na cidade de São Paulo. Foi no tradicional Mercado Municipal da capital paulista que o chef se apaixonou pelo icônico sanduíche de mortadela, generosamente recheado com camadas finas do embutido e queijo derretido.
Em um episódio de No Reservations, Bourdain confessou que comer a iguaria era sempre sua primeira parada na cidade e que chegou a correr para casa para tentar recriar a receita em seu livro Apetites, destacando a simplicidade da comida de rua brasileira.
Tutano assado do St. John (Inglaterra)
Localizado em Londres e liderado pelo chef Fergus Henderson, o restaurante St. John era apontado por Bourdain como seu "favorito no mundo". O prato de tutano assado, servido com salada de salsa, alcaparras e pão grelhado, fez o apresentador literalmente fazer uma reverência à cozinha. Ele descreveu a experiência em tom celestial: "Anjos cantam, trombetas celestiais soam... é uma dádiva divina". O chef chegou a declarar em entrevistas que este prato seria sua escolha para uma hipotética "última ceia".
Mapo Tofu (China)
Apesar de ser um carnívoro convicto, um dos pratos prediletos de Bourdain tinha o tofu como estrela principal. Originário da região de Sichuan, na China, o Mapo Tofu traz um molho encorpado, carne de porco moída, tofu cozido no vapor e o marcante tempero anestesiante da pimenta-de-Sichuan. Em Parts Unknown, o chef não poupou elogios ao sabor picante e umami da preparação: "Eu simplesmente amo este prato", declarou.
Cacio e Pepe (Itália)
Demonstrando seu apreço pela culinária direta e afetiva, o clássico romano Cacio e Pepe — uma massa simples preparada apenas com queijo pecorino, manteiga e pimenta-do-reino moída na hora — deixou o chef em êxtase. Durante as gravações em Roma, Bourdain chegou a classificar a preparação no restaurante Roma Sparita (onde o prato é servido em uma casquinha de parmesão crocante) como "a melhor coisa da história do mundo".
Sushi no Sukiyabashi Jiro (Japão)
Ao lado da experiência em Londres, a refeição no lendário Sukiyabashi Jiro, no Japão, esteve entre as candidatas de Bourdain para o prato final da vida. O balcão do chef Jiro Ono, detentor de estrelas Michelin, servia uma sucessão precisa de 20 pequenas porções de sushi. Bourdain afirmou categoricamente que a visita ao local foi "facilmente a melhor experiência com sushi de sua vida".
Laksa de Sarawak (Malásia)
Típico do café da manhã da região de Sarawak, na Malásia, este cozido de macarrão com base de leite de coco, capim-limão e uma extensa lista de especiarias foi batizado por Bourdain como o "plutônio de grau militar do café da manhã". Caracterizado pelo caldo extremamente picante e aromático, o prato foi definido pelo apresentador em seu livro como "uma obra-prima de prazer e sofrimento".
Coq au Vin e Omelete Francesa (França e clássicos de bistrô)
Antes da fama global na TV, Bourdain aperfeiçoou a culinária clássica de bistrô no comando do restaurante Les Halles, em Nova York. Dois pratos dessa escola o acompanharam por toda a vida: o Coq au Vin (frango cozido no vinho vermelho), que ele preparava com maestria até em condições extremas de gravação, e a Omelete Francesa. Para Bourdain, dominar a técnica de uma boa omelete macia era um teste de caráter indispensável para qualquer amante da gastronomia.
