
A semifinal do Escola de Sabores, exibida pela Band neste sábado (31), foi marcada por uma despedida carregada de significado. Tamires, uma das representantes das comunidades quilombolas, deixou a competição após chegar ao Top 4 do programa.
Mais do que receitas, a cozinheira entregou um testemunho sobre amor, dedicação e a conexão profunda entre a merenda escolar e a história do povo negro no Brasil.
Mesmo sentindo o peso da eliminação às vésperas da final, Tamires ressaltou o orgulho de ter levado o tempero e a resistência de seu povo para a TV.
De coração aberto
Em entrevista ao Band.com.br, Tamires disse sentir que o resultado da prova não seria o esperado antes mesmo da avaliação dos jurados. Ao retirar sua torta do forno, o olhar apurado da cozinheira já indicava que o prato não atingiria o padrão de excelência com que está acostumada.
"Eu sou muito perfeccionista. Quando tirei a torta do forno, não fiquei satisfeita. Sabia que não estava bom e ali tive a sensação de que iria para casa", desabafou. Ela atribuiu a falha ao nervosismo do momento, mas manteve a cabeça erguida: "Eu sei que tenho potencial para muito mais, mas fiz o meu melhor dentro das circunstâncias".
Ancestralidade e emoção
Tamires conta que o ponto alto de sua participação no programa foi a conexão emocional com convidadas de São Tomé e Príncipe, logo no começo da atração. A presença de merendeiras africanas fez com que a participante revisitasse sua própria árvore genealógica, as dores e glórias de seu povo.
"Aquilo foi o mais perto que consegui chegar da minha história. Quando falaram sobre os pratos que atravessaram o mar, lembrei do meu povo que também atravessou o mar para ser escravizado. Isso tocou em mim. Me senti representada naquela merendeira negra e vi minha história ali. Isso não tem preço", relatou, visivelmente emocionada.
Amor pelas outras culturas
Para a cozinheira, o Escola de Sabores expandiu seu horizonte cultural. Se antes o foco era a preservação da identidade quilombola, ela sai do programa apaixonada pela diversidade indígena e ribeirinha que conheceu nos estúdios da Band.
"O Brasil é rico e as histórias dos povos originais devem ser mais valorizadas. O amor que peguei por outras culturas hoje faz parte do meu coração", afirmou.
Agora, o destino é o reencontro com os amigos, os alunos da escola onde trabalha e, principalmente, a família. "Eu já estava morrendo de saudade. Receber o abraço deles vai ser aconchegante", concluiu a semifinalista, que deixa o programa consagrada como uma das melhores cozinheiras da temporada.
Sobre o Escola de Sabores
O projeto é uma parceria entre o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC/MRE) e o Centro de Excelência Contra a Fome do WFP no Brasil, com produção e veiculação do Grupo Bandeirantes.
